Sustentabilidade: O segredo para preservar a saúde física e mental

A importância do autoconhecimento para gerir escolhas e estabelecer relações saudáveis

Por Helyda Gomes


Progresso e sustentabilidade são ideias que nem sempre andam juntas e o resultado disso é a degradação progressiva do meio-ambiente, o consumo desenfreado e excessos que resultarão, cada vez mais, em catástrofes ambientais. Mas se você é da ala que recicla o próprio lixo, produz pouco resíduo, usa a bicicleta como meio de transporte e só compra de empresas ecologicamente responsáveis, que tal empregar a sustentabilidade no seu cotidiano para garantir mais saúde física e mental?

Conforme explicou a psicanalista e consultora Márcia Tolotti, temos o hábito de considerar com mais intensidade o curto prazo, o que nos leva a não pensar com profundidade as consequências das nossas escolhas. “Imagine o hábito de comer diariamente uma sobremesa após o almoço. Um doce vai gerar prazer, mas ė um hábito que prejudica a saúde a médio e longo prazo”, diz.

Ainda segundo ela, na vida pessoal e profissional podemos estabelecer alguns parâmetros, indicadores que nos ajudam a saber se estamos no ‘lugar certo ou com a pessoa certa.


“Muitas vezes estamos em trabalhos ou relacionamentos tóxicos e nem percebemos. Entramos no automático e passamos a aceitar situações nocivas por naturalizarmos o ruim: “é normal ele me tratar assim”...”é comum chefe falar assim”. Assim, perpetuamos relações nefastas. Métricas nos ajudam, nos dão norte porque estabelecem balizas.Certamente não haverá unanimidade, mas o saldo tem que ser positivo. O mesmo serve para o trabalho”.

A especialista ainda faz um alerta:


“Não vamos cair na ilusão de perfeição, que não existe no trabalho e tampouco nos relacionamentos amorosos, mas eles precisam ser “mais bons que ruins”. Infelizmente, psíquica e emocionalmente nos adaptamos ao ruim, mas parâmetros racionais podem nos ajudar a tornar nossa vida mais sustentável”.




Conheça algumas dicas da especialista para te ajudar na contabilidade:


Na vida amorosa...


  1. Quantas horas, em média, riu com a pessoa com quem você compartilha a vida?

  2. Quantas horas, em média, chorou com a pessoa com quem você compartilha a vida?

  3. Você sente vontade de voltar para casa cedo ou encontra desculpas para chegar mais tarde?

  4. Você admira, respeita e aceita a pessoa com quem convive?

  5. Você concorda com o pensamento, posicionamento político, modo de lidar com os negócios?


No Trabalho


  1. Você tem um propósito definido com seu trabalho?

  2. Seu objetivo financeiro é alcançado ou se aproxima daquilo que quer, com seu trabalho?

  3. A maior parte do tempo é satisfatória ou você fica só pela sexta-feira?

  4. O jeito de lidar com as situações do seu local de trabalho tem a ver com você? Os valores e princípios fecham com os seus?


Autoconhecimento


E se pensar no longo prazo é uma dica importante quando o assunto é preservar-se, o autoconhecimento é fundamental nesse processo. A instrutora com formação em Hatha Yoga, Flávia Campos, explicou que o Yoga amplia nosso autoconhecimento (corpo físico, mental e espiritual). Dessa forma, ganhamos uma compreensão maior de nossos pontos fortes e fracos, onde podemos melhorar e evoluir. Ganhamos mais consciência de nossa relação com o meio ambiente e com todos os seres e percebemos nossa integração com o Universo.


“Essa percepção de que tudo está interligado, leva a uma reflexão maior sobre nosso comportamento e, consequentemente ,mudança de hábitos”.

Flávia ressaltou ainda a importância de adquirirmos hábitos alimentares mais saudáveis. Ainda que não consigamos o veganismo, podemos tentar diminuir a ingestão de carnes e consumir apenas o necessário, buscando por tecnologias limpas para uma maior interação com a natureza como, separar o lixo, reduzir, reutilizar e reciclar.


“Para muitos a prática de Yoga começa no tapetinho, mas com o tempo, com essa expansão de consciência, percebemos que vai muito além. Uma mudança real de comportamento que irá colaborar muito para um mundo mais sustentável”.




Opinião compartilhada pela também instrutora de yoga e meditação Daniela Mattos. Segundo ela, quando optamos pelo autocuidado, tudo se transforma. Por isso, é importante se desconectar, em algum momento do dia, e dedicar alguns minutos para a prática do Yoga.

Daniela apontou um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que mostra que o Brasil tem 11,5 milhões de pessoas que sofrem com depressão e até 2030 essa será a doença mais comum no país. Em 2019, cerca de 20 mil brasileiros pediram afastamento médico no ano por doenças mentais relacionadas ao trabalho.

Diante desse panorama, a primeira dica para não cair na estatística é aprender a respirar. Para isso vão aqui algumas dicas:


  • Traga o ar para dentro (inspire), deixando a barriga crescer, o peito abrir e, assim, a clavícula subir um pouco.


  • Observe a pausa e solte o ar (expire), deixando a clavícula baixa, contraindo o peitoral e ‘puxando’ a barriga para dentro;


  • Feche os olhos. Foque no ponto entre as sobrancelhas e inspire novamente;


  • Você também pode abrir os braços até as palmas das mãos se tocarem acima da cabeça, enquanto traz o ar para dentro. Depois é só abaixar os braços lentamente enquanto solta o ar.

Ela explicou que a ciência de Yoga reconhece os 2 canais/rios energéticos (canais de prana, a energia vital) muito importantes são: Ida e Pingala. De uma forma bem simples, o Ida – que termina na narina esquerda – corresponde à energia lunar, uma energia que te acalma e te tranquiliza. Já o Pingala – que termina na narina direita – corresponde à energia solar, uma energia que te desperta e traz vitalidade. Ou seja, se você respirar exclusivamente pela narina esquerda, você irá acalmar seu corpo e tranquilizar a sua mente. Como fazer isso? Respire pela narina esquerda, tapando a narina direita com o polegar direito e deixe a mão esquerda descansando. Sinta o ar passando pelos três pontos: barriga, peito e clavícula. Deixe o ar fluir, exclusivamente, pelo canal Ida e sinta o efeito, três minutos é o suficiente. Depois repita o processo com a narina direita e a mão contrária.

A última dica é programar o alarme do telefone, 3 vezes ao dia ou mais, para observar sua respiração.


É preciso tomar consciência da respiração e fazê-la lenta e profunda por 1 minuto, se possível. Aos poucos, cria-se o hábito de observar e ficar consciente se ela está rasa ou afobada”.

Para finalizar, Daniela destacou a importância de reconhecer nossos limites.


“Eu já tive vários momentos que precisei parar tudo e encontrar o meu eu, me equilibrar energeticamente. É importante encontrar o equilíbrio entre o que nutre o seu coração e o que o mundo ao seu redor pede. Então, busque válvulas de escape, pratique Yoga, ouça sua música preferida, faça uma caminhada e se reconecte com você”.


Pra finalizar, a Redação de Entre Asanas separou um vídeo tutoria sobre Pranayama, para você conhecer uma técnica de respiração que ajuda a equilibrar a mente e manter a calma. Aproveite!




[]