Emoção faz com que mulheres escritoras se destaquem na literatura

Incentivar a produção literária feminina é papel fundamental de quem escreve


Por Agnes Lutterbach


Antes do século XX era difícil conhecer a literatura feita por mulheres no Brasil, isso porque a sociedade patriarcal oprimia e menosprezava a expressão feminina. Tanto a historiografia quanto a nossa crítica literária era desigual e machista, não só ignorando, mas também apagando muitas de nossas escritoras e suas obras.


As pesquisas em torno do assunto só ganharam força nas universidades brasileiras com a formação, em 1984, do Grupo de Trabalho Mulher e Literatura, no âmbito da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll). Desde então, a academia passou a se dedicar mais ao resgate da memória de pioneiras como a maranhense Maria Firmina dos Reis (1822—1917), considerada a primeira romancista brasileira, e a norte-rio-grandense Nísia Floresta (1810—1885), precursora em questões feministas, abolicionistas, indianistas e republicanas.


E essa reportagem, será um pouco diferente. Porque essa jornalista que vos escreve, também é escritora. Então aqui usaremos a primeira pessoa. Tenho 34 anos e escrevo desde os oitos anos; iniciei com a poesia, porque era com ela que eu conseguia exteriorizar todo o meu sentimento. Nessa época, eu já era apaixonada pelos livros e eles eram os melhores e únicos amigos que eu tinha. Minha tia avó, Noemi Vieira, professora de língua portuguesa foi uma grande incentivadora que tive para que investisse na produção literária, mas já tinha me avisado que poesia era difícil de publicar e, talvez, se escrevesse prosa, eu conseguiria com mais facilidade. E assim o fiz. Aos 13 anos escrevi meu primeiro livro “Bianca e o Cãozinho Tobias”, escrito a lápis, em folhas de fichário, daquelas que eu usava no colégio. Publiquei-o aos 15 anos.


Quanto orgulho senti ao escrevê-lo. Fui a um evento literário na praça da cidade, onde escritores se apresentariam. E foi assim que conheci Lurdes Gonçalves, apesar de não ser friburguense, vivia em Nova Friburgo até seu falecimento, em 2014. Autora de diversos livros, também jornalista e cronista, recebeu em 1977 o Prêmio Jabuti, com o livro “Calunga”, que contava a história de um cachorro. Cheguei até ela, totalmente tímida e disse que eu também escrevia e gostaria de mostrar alguns dos meus textos a ela. Eu estava com eles ali, em mãos, numa pasta onde muitas meninas da minha idade colecionavam papéis de carta e, eu, colecionava meus escritos. Ela leu uma poesia minha e falou que eu tinha muita sensibilidade ao escrever e que gostaria de ler outros textos meus.


Isso foi no ano 2000, mas lembro-me como se fosse hoje. Tornamo-nos grandes amigas e ela se tornou uma ótima incentivadora. Mostrei a ela o meu primeiro livro em prosa, que também era sobre um cachorro e a identificação foi instantânea. E “Bianca e o Cãozinho Tobias” me possibilitou as melhores coisas do mundo, dentre elas, o título de autor revelação na XI Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, em 2003, quando eu tinha só 16 anos.


Minha história com a literatura não parou até hoje. Escrevi mais três livros, alguns blogs literários, muitos, muitos e muitos textos, tanto em poesia, quanto em prosa. Mas a prosa poética tornou-se minha mais verdadeira paixão.





A atração está em sua alma


Sou leitora assídua e assim, busco sempre livros sobre assuntos que me interesso. E foi dessa forma que cheguei ao “O Salto Quântico Astrológico: A Teoria Quântica aplicada aos Arquétipos Astrológicos, da astróloga Mônica Schwarzwald. Ela não escreve textos literários, mas dessa vez foi diferente “Desde que comecei a estudar o Hermetismo, as Ciências Esotéricas, dentre elas a Astrologia, senti o impulso e desenvolvi o gosto de escrever textos e artigos sobre o tema há aproximadamente 15 anos”, conta. Um processo que envolveu insight ou inspiração até a observação dos questionamentos e situações dos seus clientes ou alunos. A partir disto, desenvolveu o texto bruto e, depois, fez as devidas revisões necessárias.


Publicou como autora independente seu único livro, depois de tê-lo sido recusado por editoras de porte médio e de quase ter sido extorquida pelas de pequeno porte. E essa dificuldade existe no mercado editorial brasileiro


“De minha parte, é a falta de incentivo e de abertura de oportunidades para novos paradigmas. Já fui dona de livraria esotérica por um breve espaço de tempo e percebia que livros com
um conteúdo fantástico como “A Magia da Árvore da Vida” de Israel Regardie esgotavam-se sem chances de reedição, enquanto os romances “mamão com açúcar” de Paulo Coelho explodem no mercado como best-sellers. Por isto que a melhor opção para o autor, mesmo que produza um conteúdo excelente, mas sem os devidos 'q.i.'s políticos ou corporativos, é a publicação independente em canais como a Amazon”, mostra.



Quanto a incentivar novas mulheres a escrever, isso acontece de forma singela


“Conheço apenas duas mulheres que escrevem, ambas na área da Espiritualidade também. Acredito que nos incentivamos umas às outras trocando ideias, sugestões e decepções quanto a uma pequena editora brasiliense”, diz.

Para ser um escritor, é necessário sentir


“Quanto a atrair novos escritores, penso que cada escritor deve sentir o impulso sutil da escrita. A atração está em sua alma”, divide a autora.




Uma mulher não se intimida por sentimentos


Já a arquiteta Maritza Leardini conheci através de uma amiga em comum, porque estávamos escrevendo sobre erotismo. Maritza estava escrevendo um livro e já eu, um blog erótico feminista. M Lear, como também é conhecida, escreve há quatro anos e começou a fazê-lo para descarregar as emoções. E o processo de escrita costuma variar


“Tem fases que sigo uma rotina e tem fases que espero pela inspiração”, explica.

É autora de quatro livros, todos eles publicados que são A trilogia “Seda, Correntes e Chocolate- Delirium” e “Aiyra e os Neerlandeses”. E ela vê grande importância que a mulher tem na literatura


“É uma grande oportunidade de deixar registrado para a eternidade alguma mensagem ou clamor pela luta de algo que precisa ser conquistado. Uma história pode motivar pessoas inertes em suas dores”, apresenta.

A mulher consegue ter um diferencial imprescindível como escritora


“A emoção. Uma mulher não se intimida por sentimentos sejam eles piegas, louváveis ou não. Uma mulher não se envergonha por sentir e ela passa isso para o papel com maestria”, destaca.

A autora sempre incentiva outras mulheres a escrever e faz questão de fazer isso


“Oferecendo de vez em quando dicas de como escrever um livro no meu ig literário ou quando alguém me solicita ajuda diretamente”, encerrou.


Unicidade do livro: Essa capacidade de nos ocupar e nos unir a nós mesmos


A faculdade de jornalismo me trouxe alguns presentes e essa profissional, foi um deles. A jornalista, professora universitária e autora Cristina Gurjão escreve desde 1993, a editora Objetiva lhe pediu um livro sobre elementais – os seres espirituais da natureza e foi assim que descobriu sua veia literária. Um livrinho de formato pequeno, mas que teve quatro edições.


Ela não pensa muito no seu processo de escrita. Só Senta, vai escrevendo e as palavras fluem. É como uma espécie de inspiração somada à pesquisa do tema a ser desenvolvido. E tem uma extensa publicação


“Minha produção literária tem onze obras de temáticas diferentes. Na área holística escrevi “Encontro com os elementais”; “Magia Acesa” - simbolismos das velas e exercícios práticos; “Luz, Cor, Ação – use as cores em sua vida”; “Anjos e elementais – um encontro com seres espirituais”; “ O tarô no coração do evangelho – à luz da Nova Era”; Como se comunicar com anjos e elementais”. Na área da ficção tenho publicado o romance “A grande Luz”. Além disso, participei das biografias de “Millôr Fernandes”, “Fernando Barbosa Lima”, “Jacob Kligerman” e “Anselmo Duarte”, para a coleção Gente da Editora Rio, da Universidade Estácio de Sá”, ressalta.

E as dificuldades não podem ser um impedimento para desistir de uma vontade, já que o mercado brasileiro de edição é complicado


“Atualmente, penso que a maior dificuldade para os au