Concentração e meditação - O uso de tecnologia ajuda ou atrapalha ?

Saiba mais como o Yoga, mesmo de forma remota, pode interferir positivamente no seu estilo de vida e aumentar sua atenção no dia a dia


Por Juliana Nascimento



Imagine escolher apenas uma atividade para fazer em alguns minutos ou horas? Você consegue pensar, exclusivamente, uma única ação? É difícil imaginar isso, não é? No entanto, também não é impossível.


Na sociedade que estamos, com ritmo acelerado, vamos nós também correndo, literalmente, sem entender ou parar para entender, porque tamanha pressa. A gente precisa dá conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo para depois fazer mais outras coisas, e assim vai o ciclo nosso de cada dia.


Suponhamos a seguinte situação: responda para si mesmo. Você faz suas necessidades fisiológicas, mais popularmente conhecido como fazer número 1 ou 2 com o celular ou mexendo algum aparelho tecnológico ou fica esse tempo apenas fazendo a ação ?


Não é questão de certo ou errado, é só para analisar a situação, como estamos lidando com o excessivo costume de não parar, para “perder tempo”. O economista norte-americano, Herbert Simon, já falava sobre o conceito da “Economia da atenção”, na década de 70 com a frase:


“A riqueza de informação cria pobreza de atenção, e com ela a necessidade de alocar a atenção de maneira eficiente em meio à abundância de fontes de informação disponíveis”.




A nova mercadoria: atenção


Para Simon, o bombardeio de informação que temos acesso, cria falta de atenção e consequentemente, não nos concentramos direito nas ações e pensamentos. Somos interrompidos a cada instante com novas e variadas informações, oriundas, sobretudo da tecnologia e mídia digital. Mal terminamos de ler ou ver algo e já queremos consumir outros dados.


Na dissertação “A influência do Yoga na atenção dos alunos em sala de aula”, publicado no dia 20 de julho de 2018 pela Escola Superior de Educação de Lisboa, por Inês Isabel Naz Mendonça, a autora fala sobre a distinção da atenção e concentração.


Segundo o autor Samulski, citado por Inês Mendonça, “a atenção é caracterizada como um estado seletivo, intensivo e dirigido da percepção”. Já a concentração, ainda de acordo com esse autor, é a “focalização da atenção em um determinado objeto ou ação”. Ou seja, a capacidade psicológica de focar a atenção em algo.


Prova científica disso, é uma pesquisa feita pela Microsoft em 2015, realizada no Canadá com 2 mil entrevistados, da qual revelou que o tempo de atenção do seres humanos é de 8 segundos. Período mais curto do que os peixinhos dourados, que têm uma média de 9 segundos.


Esses dados foram divulgados na página de notícias da BBC News Brasil, no dia 16 de maio de 2015. Segundo dados da pesquisa, foram feitos exames de eletroencefalograma para monitorar a atividade cerebral dos voluntários.


Os estudos nos relatam que a capacidade de se concentrar é reduzida pelo uso da tecnologia, mas também o cérebro humano tem eficiência de se adaptar a atenção e concentração, de acordo com estilo de vida. Afinal de contas, somos seres em constante evolução, diferentes, felizmente, dos peixinhos.




E em contrapartida ao sobejo de informação e falta de atenção, vem o Yoga, que auxilia na concentração, com o uso da meditação, respiração e paciência com posturas. E se pararmos para raciocinar, que durante a pandemia, o uso da tecnologia, até para praticar Yoga é necessário, não podemos demonizar ou culpar apenas os aparatos tecnológicos.


O uso dele e estilo de vida é que são cruciais para a economia da atenção, defendida por Herbert Simon. Os estímulos e focos podem provocar melhores aprendizados quando bem aproveitados e utilizados.


A promoção de concentração em boas ações de meditações e pensamentos positivos podem reduzir a ansiedade, fenômeno proveniente da correria do dia a dia e do estresse.

Ainda de acordo com dissertação de Inês Mendonça sobre Influência do Yoga na atenção dos alunos em sala de aula, “através de exercícios de respiração e de relaxamento, característica do Yoga em sala de aula, os alunos poderão aprender a controlar o stress, a ouvir melhor, despertar criatividade e a recuperar a sua autoconfiança”.


Na pandemia, fomos obrigados ao trabalho e estudo remoto e, como novo desafio, responder satisfatoriamente, a essas atividades. E as aulas online de Yoga também permaneceram com maior relevância e concentração.


Tudo é questão de prioridade e adaptação e saber da singularidade de cada ser. Nossas emoções, razões e sentidos reptilianos são estimulados e readaptados a toda necessidade e preferência de cada pessoa.


Então imagine agora a seguinte situação. E responda, novamente para você mesmo. Se você está com sono e precisa dormir, mas não consegue, você escuta músicas relaxantes no celular ou você tenta se concentra sozinho, sem ajuda da tecnologia?


Novamente, não há resposta certa ou errada. Apenas a sua. Preferência e prioridade.





A redação de Entre Asanas separou, também, algumas dicas para você se manter em equilíbrio no dia-a-dia , e se concentrar melhor durante o isolamento:


1. Respire corretamente: É importante saber respirar, reconhecendo cada etapa do ciclo (inspiração, retenção; expiração, retenção) e cada região do corpo onde ela acontece (diafragmática, peitoral, clavicular). Saber respirar significa controlar a bioenergia do corpo e o sistema nervoso. Então é fundamental respirar corretamente para acalmar os pensamentos e desenvolver a serenidade.


2. Mantenha-se fisicamente ativa(o): Nesse caso a mente pode ser o principal inimigo, principalmente durante uma situação inusitada e adversa. A disciplina é fundamental. O espectro de atividades está limitado, mas com um pouco de criatividade e muita força de vontade, é possível desenvolver diferentes rotinas de exercícios. Praticar Yoga é sempre a nossa dica padrão! Mas existem diversas formas de manter o corpo ativo, lembrando de respeitar os seus limites.


3. Estude: Em momentos de crise surgem, ou são criadas, as oportunidades. E hoje temos a Internet com acesso a diversas fontes confiáveis de pesquisas e livros para nos libertar de todo sofrimento (ignorância). Existem centenas de ofertas de cursos e workshops online. Sem falar nos terabytes de material técnico, documentos, artigos científicos e toda sorte de conteúdo especializado para você descobrir e desenvolver novas aptidões. Então, estude.

4. Pense na Vida: Filosofar não é, exatamente, um hábito para a maioria das pessoas. Pelo menos não oficialmente. Mas filosofar, ou questionar-se a respeito das coisas e do universo, é uma atividade muito revigorante e terapêutica. E como estamos todos isolados, talvez seja um bom momento para ficar só. Pois como disse o lendário cientista Nikola Tesla "Esteja sozinho, este é o segredo da invenção, estar sozinho, isto é quando as ideias nascem".


5. Seja Positiva(o): A física quântica um dia explicará os efeitos do pensamento positivo, de modo que não restará dúvidas de que somos capazes de criar ou destruir com o poder do pensamento e da fala. Então, mantenha as afirmações e atitudes positivas em seu dia a dia, e elimine toda e qualquer influência negativa, subtraindo certas palavras, e sendo diligente em suas ações.


6. Lembre-se do seu estado de felicidade: No Yoga, aprendemos que a libertação do ser humano o reconduz ao seu estado natural, a felicidade. Muitas vezes esquecemos das coisas que realmente nos trazem a sensação de satisfação mental. Então aproveite tudo isso para lembrar e reafirmar o que realmente te faz sentir feliz. É isso que realmente importa.


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